domingo, 10 de outubro de 2010

"A LUA E A RUA"


"A LUA E A RUA"


Agamenon nasceu na vila de Areia Branca, no município de Piritiba, Bahia, em 03 de janeiro de 1952.
Com três anos de idade realiza sua primeira proeza: destrói quase uma centena de pintinhos de gesso que a tia Lili acabara de tirar da forma, com a famosa frase: “tome pipiu, tome pipiu”. Na infância recebeu de sua mãe o apelido de “gato novo”, dada a sua espantosa curiosidade. Nada passava despercebido por aquele “menino, moleque, traquino”. Mais tarde, já morando na vila de Ibiaporã, município de Mundo Novo, ajuda o pai na pequena relojoaria, faz carrinhos de brinquedo, bingas de pó e fôrmas de bolo para ganhar seu próprio dinheiro.
Em 1967, vai estudar na cidade de Ibicaraí, no Sul da Bahia, na casa da prima Lilian. Acostumado com a pobreza das vilas por onde morou, enfrenta as contradições de um mundo glamuroso comandado pela riqueza de cacau.
Seus pais deixam a vila de Ibiaporã e passam a morar em Piritiba, para onde ele retorna mais tarde. Irrequieto, toma parte de tudo o que aparece pela frente: Grupo Jovem, Centro Cívico, Jornais, Serviço de Alto-Falantes, Política, etc.
Em 1973 forma-se professor. Como não encontra trabalho, continua estudando até concluir o curso de Contabilidade, quando passa a realizar pequenos serviços para as prefeituras de Piritiba, Tapiramutá e Miguel Calmon. Em 1977 é aprovado em concurso para o Banco do Estado da Bahia, em 1978 no concurso da Caixa Econômica Federal e em 1979 no concurso do Banco do Brasil, onde permaneceu até se aposentar.
            A poesia foi o caminho natural para expressar seus sonhos e mágoas, esperanças e lamentos, contradições e certezas, amor e fé.
            “A Lua e a Rua”, tem tudo isso e um pouco mais: tem a certeza de que se pode chegar onde estiverem os nossos sonhos.

"A VIDA E O SONHO"

 
 
A VIDA E O SONHO

Há um tipo de homem que tem grande desprezo pelo “imediatismo”, tenta cultivar sua vida interior, baseia seu orgulho em algo mais profundo e íntimo. Ele está um pouco mais preocupado com o que significa ser uma pessoa, com individualidade e originalidade. Gosta de solidão e recolhe-se periodicamente para refletir, talvez para acalentar idéias sobre seu eu secreto, do que poderia ser. Este, depois de tudo dito e feito, é o único problema real da vida, a única preocupação valiosa do homem: qual é o verdadeiro talento de cada um, seu dom secreto, sua autêntica vocação? De que maneira se é verdadeiramente ímpar, e como se pode expressar essa originalidade, dar-lhe forma, dedicá-la a algo para além de si mesmo? Como pode a pessoa tomar seu ser interior privado, seus anelos, e usá-los para viver mais caracteristicamente, para enriquecer tanto a si quanto à humanidade com a qualidade peculiar de seu talento? Na adolescência, a maioria de nós vibra com esse dilema, expressando-o seja por palavras e pensamentos, seja por uma simples dor surda e aspiração. Mas, em geral, a vida nos leva para atividades padronizadas.

O sistema social de heróis no qual nascemos traça trilhas para nosso heroísmo, trilhas com que temos de nos conformar, às quais nos amoldamos de modo a poder agradar aos outros e tornamo-nos o que eles esperam que sejamos. E, em vez de trabalhar nosso segredo íntimo, aos poucos o escondemos e esquecemos, enquanto nos tornamos homens exclusivamente exteriores, empenhados continuamente no padronizado jogo de heróis no qual estamos por acidente, ligação de família, patriotismo reflexo, ou pela simples necessidade de comer e o impulso de procriar.

O “introvertido”  não conserva essa busca interior plenamente viva ou consciente; esta representa algo mais que um problema vagamente consciente, como sucede com o homem imediatista engolido pela máquina. O introvertido acha que é um pouco diferente do mundo, tem algo em si que o mundo não pode refletir, não pode, em seu imediatismo e superficialidade, apreciar; e assim ele se mantém um tanto afastado desse mundo. Mas não em excesso, não completamente. Seria tão bom ser o que ele quer ser, concretizar sua vocação seu talento autêntico, porém é arriscado, poderia transformar seu mundo inteiramente. Afinal de contas, ele é basicamente sonhador, está em uma posição conciliatória: não é um homem imediatista, nem tampouco um homem real, apesar de dar a aparência disso.

E assim ele vive em uma espécie de “incógnito”, contente de divertir-se (em seus periódicos momentos de solidão) com a idéia do que poderia realmente ser; contente de insistir numa “pequena diferença”, de orgulhar-se, em seu mais recôndito íntimo, dos seus sonhos.

Texto extraído do livro ”A Negação da Morte” de Ernest Becker

SÃO PAULO - MEIO CÉU, MEIO INFERNO


São Paulo – Meio Céu, Meio Inferno.

Confesso meio envergonhado que sempre quis conhecer a “Paulicéia Desvairada”. Se você me perguntasse o porquê de “meio envergonhado ” eu diria: é que já ouvi tantas histórias pouco edificadoras dessa cidade, para não usar aqueles adjetivos largamente usados nas manchetes dos jornais, que sempre fiquei com vergonha de confessar meu estranho desejo.
         E como se cumprindo uma profecia, dessas que os exotéricos pregam de que desejos jogados ao vento terminam por um dia se realizar, lá estava eu, mais um nordestino, encantado pela estranha e desafiadora cidade de São Paulo.
         Saí de uma pequenina cidade do interior da Bahia, chamada Piritiba, para desbravar a inquietante metrópole.
         No primeiro dia aprendo o que significa uma noite gelada, com três graus de temperatura. O meu compadre e anfitrião, também nordestino, mas já perfeitamente adaptado à terra da garoa e com mais de 30 anos de vivência por aqui, providencia gorros, luvas, calças e blusas de moletom, que me transformam em um verdadeiro bicho de sete capas. Como se tudo isso ainda não bastasse para amenizar aquele frio de lascar, apelamos para generosas doses de conhaque com café. E olha que ele me informou que hoje em dia o frio já não é mais como antigamente. Quando cheguei aqui, disse-me ele, lá pelos idos de 1960, fazia pelo menos 4 meses de frio de lascar, mas hoje no máximo uma semana e tudo volta ao normal.
         Fomos dormir lá pelas duas da madrugada, depois de repassar as noticias e os causos da terrinha. Dormir é força de expressão, porque não acredito que se possa dormir com os ossos doendo e os músculos retesados. Devo ter tirado apenas alguns cochilos, resultado do efeito entorpecedor das doses de conhaque com café.
         Quando o dia amanheceu, sai da cama seriamente preocupado, meus pés e mãos pareciam dormentes. Mas o compadre disse que logo logo eles estariam bons de novo, bastava um bom banho quente. Se minha santa vovozinha ainda estivesse viva diria que eu ia “estoporar” (choque térmico). Tomei o banho mais complicado da minha vida, sair debaixo do chuveiro era com entrar nu na geladeira. Terminado o banho encontro meu compadre na sala já pronto para sair vestindo uma roupa normal e como complemento apenas uma jaqueta de lã. Perguntei se ele iria agüentar o frio daquela maneira. Ele disse que não iríamos precisar nem dela mais tarde, e quando chegássemos ao centro da cidade o clima já estaria melhor.
         Saímos em meio a neblina em direção a padaria da esquina para tomarmos um  chocolate quente. Na padaria fui recepcionado por um nordestino gozador que foi logo dizendo: mais um baiano veio ver como é o frio de São Paulo. Mas o meu compadre tratou de me defender dizendo que eu estava ali para conhecer São Paulo e não para sofrer em São Paulo. Gozação para lá, gozação para cá, o tal de Pedro das Almas, pediu desculpas pelas brincadeiras e nos serviu o bom chocolate, café e um sanduíche de mortadela.
         Pegamos o ônibus do Jardim Ipanema, lá nos confins da Zona Leste, com destino a Praça D. Pedro. Ônibus lotado às 05 da manhã já na terceira parada. Dai em diante foi um Deus nos acuda, pelo menos para mim não acostumado com aquele burburinho todo. Sobe gente, desce gente, com licença, deixa eu passar, meu ponto tá chegando... e lá fomos nós rua abaixo rua acima, Av. Aricanduva, Radial Leste, Margina do Tietê, conforme ia explicando o meu compadre e cicerone.

Domingo tem mais .......

O CAÇADOR DE SONHOS

       
       Nós temos sonhos. Sonhos que achamos possíveis e sonhos que achamos impossíveis. Mas na realidade, não há sonhos possíveis ou sonhos impossíveis. Há somente sonhos.
        A sabedoria oriental nos ensina que o homem para viver a plenitude da vida, necessita plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.
        Assim também são os nossos sonhos. Eles estão maravilhosamente situados em um desses estágios.
        No entanto, em muitos momentos de nossa vida estamos tão sofregamente empenhados em coisas inúteis, que esquecemos do que realmente importa. Não acariciamos os nossos filhos, não percebemos o seu choro, e sendo assim, não foi possível desfrutar do eterno momento de enxugarmos suas lágrimas.  
        Quantas vezes nos reservamos o direito de ler A República, de Platão; A Divina Comédia, de Dante Alighieri; o Pequeno Príncipe, de Exupéry, a BÍBLIA, e tantas outras obras universais? 
            Leonardo Boff nos conta a história da Águia que, por ironia do destino, nasceu no meio de uma ninhada de pintinhos.
        Quantas vezes não fomos à galinha dos nossos próprios sonhos.
        Quantas vezes fomos à águia mãe, a empurrar para fora do ninho, precipício abaixo, a jovem águia, na firme convicção de que só assim ela poderia conquistar o infinito?
        Disse-nos o Pequeno Príncipe: “Os homens do teu planeta cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim, e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa única rosa.”  
        Coloque seus sonhos na dimensão do tempo e reserve:

- Tempo para trabalhar - é este o preço do êxito.
- Tempo para pensar - é esta a fonte do poder.
- Tempo para divertir-se - é este o segredo da eterna juventude.
- Tempo para ler - é esta a base da sabedoria.
- Tempo para ser amigo - é este o caminho da felicidade.
- Tempo para amar e ser amado - é este o privilégio dos Deuses.
- Tempo para rir - é esta a musica da alma.
- Tempo para ser útil aos outros - esta vida é demasiado curta para que sejamos egoístas.
- Tempo para sonhar - é este o meio de ligar a uma estrela, o carro em que se viaja na terra.


DEZ COISAS PARA APRENDER...

                                        DEZ COISAS PARA APRENDER...
                                                                   
                                                              Luís Fernando Veríssimo

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom ou empregado, não pode ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha).


2. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance. (Na maioria das vezes quem está te olhando também não sabe! Ta valendo!).

3. A força mais destrutiva do universo é a fofoca. (Deus deu 24 horas em cada dia para cada um cuidar da sua vida e tem gente que insiste em fazer hora-extra!).

4. Não confunda sua carreira com sua vida. (Aprenda a fazer escolhas!).

5. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite. (Quem escreveu deve ter conhecimento de causa!).

6. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá... todo o seu potencial, essa palavra seria 'reuniões'... Onde ninguém se entende ...).

7. Há uma linha muito tênue entre 'hobby' e 'doença mental'. (Ouvir música é hobby... No volume máximo às sete da manhã pode ser doença mental!).

8. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito (Que bom!)

9. Lembre-se: nem sempre os profissionais são os melhores. Um amador construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. (É Verdade!).

Uma última, mas não menos sábia.  

10. "Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que   outra pessoa morra."
William Shakespeare


PROCURE DENTRO DE SI MESMO

      Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante.   
     Mesmo que estivesse em uma prisão, não teria sempre sua infância, essa riqueza preciosa, régia, esse tesouro de recordações? Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação a meia-luz, da qual passa longe o burburinho dos outros.
        E se, desse ato de voltar para dentro de si, desse aprofundamento em seu próprio mundo, resultares versos, você não pensará em perguntar a alguém se são bons versos, pois verá neles seu querido patrimônio natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério.
     Talvez ela revele que você é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite sua sorte e a suporte, com seu peso e sua grandeza, sem perguntar nunca pela recompensa que poderia vir de fora.

Rilke
Cartas a um jovem poeta.